E no bichinho atrelado ao ouvido, Gilberto Gil canta o que Torquato escreveu faz tempo, mas faz tanto tempo e sentido que vale a pena reler. Invariavelmente acertava errando pelas bordas da vida, errando por aí, esse Torquato.
Desde que saí de casa,
trouxe a viagem da volta
gravada na minha mão,
enterrada no umbigo,
dentro e fora assim comigo,
minha própria condução.
Todo dia é dia dela,
pode não ser,
pode ser.
Abro a porta e a janela,
todo dia é dia D
Há urubus no telhado
e a carne seca é servida,
escorpião encravado
na sua própria ferida
não escapa,
só escapo
pela porta da saída.
Todo dia é mesmo dia,
de amar
de a morte
morrer.
Todo dia é mais dia,
menos dia,
é dia D
Desde que saí de casa
trouxe a viagem da volta
gravada na minha mão,
enterrada no umbigo,
dentro e fora assim comigo,
minha própria condução.

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