Segunda-feira, Julho 18, 2005

E no bichinho atrelado ao ouvido, Gilberto Gil canta o que Torquato escreveu faz tempo, mas faz tanto tempo e sentido que vale a pena reler. Invariavelmente acertava errando pelas bordas da vida, errando por aí, esse Torquato.

Desde que saí de casa,
trouxe a viagem da volta
gravada na minha mão,
enterrada no umbigo,
dentro e fora assim comigo,
minha própria condução.

Todo dia é dia dela,
pode não ser,
pode ser.

Abro a porta e a janela,
todo dia é dia D

Há urubus no telhado
e a carne seca é servida,
escorpião encravado
na sua própria ferida
não escapa,
só escapo
pela porta da saída.

Todo dia é mesmo dia,
de amar
de a morte
morrer.

Todo dia é mais dia,
menos dia,
é dia D

Desde que saí de casa
trouxe a viagem da volta
gravada na minha mão,
enterrada no umbigo,
dentro e fora assim comigo,
minha própria condução.