Terça-feira, Julho 12, 2005

Ouvido mouco

Pois de nada adianta falar tanto, talvez essa seja a angústia da imprensa brasileira em relação ao "governo" de Luiz Inácio Lula da Silva, desde o primeiro dia criticava-se o amplo aspectro de alianças, o toma-lá-dá-cá com emendas no Orçamento para aprovar reformas que nem merecem esse nome. Só para lembrar, de todo o projeto de governo de Lula, aprovou-se apenas a reforma da Previdência, mirando mais nos funcionários públicos do que no bando de gente que recebe sem contribuir ou no déficit que se instalou por lá.

Enfim.

Agora me chega a notícia da "reforma ministerial", sim, sim, entre aspas porque ninguém é de ferro. Eis que saiu Nilmário Miranda, dos Direitos Humanos, ficou o Gushiken como subordinado de Dilma Roussef e outras mudanças aqui e ali. Ao PMDB, a Saúde. Jucá, alguns meses atrasado, deixa a Previdência.

Adianta continuar dizendo que "reformas" como essa são inúteis, insuficientes, belos placebos de antídoto para uma crise gigantesca?

Lula permanece isolado e confiante de que "nunca na história desse país um governo fez tanto". Se desde o início as críticas diziam que havia muitos petistas, que todo o aparato estatal havia sido partidarizado, que os auxiliares de Lula não sabiam orientá-lo. Se tudo isso foi dito e de nada adiantou, por que voltar ao tema agora?

Tenho minhas sérias dúvidas se Lula lê jornais, por exemplo. E se os lê, se absorve alguma coisa. Será possível que todos, absolutamente todos estejam errados e o barbudo, certo?

Não sei. Não esperava a saída de Nilmário Miranda. Primeiro porque pouco muda na conjuntura política atual. Segundo, porque até que fazia um bom trabalho, dadas as limitações e algumas de suas idiossincrasias. Terceiro, porque é apenas o ministério dos direitos humanos.

Sobre o Ministério da Defesa, que segue ocupado pelo vice-presidente José Alencar, ninguém fala. Será que esqueceram?

Mas, novamente, de que vale falar nisso mesmo?