Domingo, Julho 03, 2005

Spinning between DF and DC

Mês e pouco longe de casa, segue um relato insignificante desde o desembarque em Dulles no dia 27 de maio.

À primeira vista, há um sério incremento de vocabulário. Ao chegar em qualquer cidade norte-americana, em especial a capital da paranóia, esteja familiarizado com as palavras fence e barricade. Não há posto que não exiba as duas. Em Washington as exigências de segurança são meio esquisitas. Em frente aos prédios do governo há uns imensos vasos de planta, meio que um metro e meio de altura.

Reabriram ontem o obelisco, The Washington Monument. Depois de meses de reforma, incluíram uma base de granito e um reforço por toda a estrutura. Assim, dizem, ficará mais fácil resistir a bombas ou aviões. Mas não seria mais simples e econômico levantar outro se ocorresse um atentado?

Se você não tem um cartão quente de identidade, e a identificação de jornalista estrangeiro é um desses, esqueça os passeios turísticos. Melhor ver a Casa Branca e o Capitólio pela CNN, como turista, use lentes telescópicas na câmera, assim o pessoal de casa gosta verá alguma graça.

Estou a duas quadras da Union Station, então o metrô ainda é o melhor e mais barato meio de transporte. Experimente um táxi para ter certeza. Andam a 40 km/h, sem ultrapassar sinal algum. E estão todos conectados pelas orelhas a telefones celulares. Se der sorte, encontrará um taxista muçulmano por volta das 18h, que receberá a oração do dia em seu aparelho eletrônico e passará o trajeto entoando uma canção religiosa em árabe. Fantástico e muito bonito, sem ironias.

Para quem não gosta de fazer compras ou passear no shopping, a cidade até que possui alguns atrativos. Museus, destaque para o Spy Museum, o waterfront na beira do Potomac, o pseudo-intelectual-moderninho-hype-ponto-de-encontro em Dupont Circle e outros.

Titanic petista

Uma das melhores publicações dos EUA é a satírica The Onion, que em uma de suas páginas históricas demonstra bem o que vem acontecendo no Brasil. Bem, registro apenas para o aturdimento e a ponta de inveja dos colegas que ficaram em Brasília assistindo ao desastre.

Na minha última sexta-feira de trabalho, em Brasília, finalizava a arrumação da mesa quando o diretor entra na Redação e pede para o colega do lado apurar que diabos a Veja publicaria no dia seguinte. Era uma nova fita, mostrando corrupção nos Correios. Dali pra frente, o caldo só fez entornar. E minha modesta colaboração para o caso nunca apareceu.

Ontem, a Veja trouxe mais detalhes, a ponta de um iceberg, em minha humilde e desnecessária opinião, sobre a ligação do PT com um publicitário cheio de maracutaias aparentemente. O sujeito foi avalista e pagou um empréstimo feito pelo partido ao Banco Safra. Estranho, muito estranho.

Essa história toda do PT enlameado me lembrou desde o início o caso do Titanic, aquele baita navio que não poderia afundar nunca, e que encontrou o fundo do Atlântico na sua primeira viagem. No início do século passado, agora temos no Brasil o naufrágio do PT, um Titanic de moralidades que nunca seria afetado pela sujeira da política.

Voltando à Onion, o jornalzinho sabiamente descreveu em sua primeira página o fim do Titanic como o naufrágio de uma metáfora. Ainda não tenho certeza, mas me parece que ocorre o mesmo no caso mensalão.

Por aqui

Os fogos de artifício para comemorar o Dia da Independência devem começar já daqui a pouco, a cidade está repleta de visitantes, mr. Bush já falou das suas na TV. Mais do mesmo.

2 Comments:

Anonymous César said...

Saudade de você, meu velho! Saudade mesmo! Às vezes lembro de coisas de Sampa que você nem imagina. Enfim, melancolia.

Beijo e abraço!

9:23 PM  
Anonymous cd said...

não se sinta traído, fellow, mas ando tomando café no Frota com o Rubens. ;) sabe como é... a fila anda.

5:55 PM  

Enviar um comentário

<< Home