terror
Na semana passada, a Time publicou uma entrevista com um jovem de 25 anos, ansioso, máscara no rosto, que aguarda impacientemente o momento de ir pelos ares e levar tantos infiéis quanto conseguir para o outro lado.
Na quinta-feira passada, o prefeito de Washington DC, Anthony Williams ocupa longos 20 minutos na TV para pedir que as pessoas continuem vigilantes mas não permitam que os terroristas mudem seu modo de vida. Vivam, amem, sejam felizes, aproveitem a vida, disse o sujeito.
No mesmo dia, um imã londrino pediu à sua comunidade que auxiliasse as autoridades na procura pelos suspeitos do ataque. Na 14th street, um engraxate berrava aos transeuntes que não permitissem que os terroristas os deixassem com os sapatos sujos, dois minutos e cinco dólares.
Há duzentos anos, Issac Newton descobriu algumas leis da física. A cada ação corresponde uma reação de mesma intensidade e sentido contrário. Se levada ao pé da letra, as bombas que explodiram até agora são apenas o começo de um longo processo.
O mundo globalizado permitiu a aplicação da lei de Newton em escala planetária. O míssil disparado em Falluja, ressoa em Grosvenor Park. Simples assim. Houvesse ocorrido antes, teríamos visto vietcongues explodindo a bolsa de valores.
Mas ainda há uma desarmonia de forças, uma enorme diferença em favor do Ocidente. Mesmo assim, não se vêem tentativas de assassinar um presidente ou um primeiro-ministro. Mas pessoas comuns.
Essa talvez seja a forma terrivelmente sincera de mostrar a quem vive deste lado do Atlântico que quando a fumaça sobe em Bagdad e Saddam Hussein é encontrado apodrecendo num buraco, isso não significa uma ação militar cirúrgica. Mas a destruição de uma sociedade, o seqüestro da rotina pacífica de milhões e milhões de pessoas que não guardam relação alguma com o que seus governantes fazem por lá.
Talvez eliminar vidas inocentes em Londres, Madrid, Nova York, seja uma forma de dizer simplesmente que agora eles fazem com as grandes potências o mesmo que elas fizeram a seus países. Apenas talvez.

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