Domingo, Novembro 27, 2005

De novo as esquinas

Nevou faz só uma semana, andei o dia inteiro, lembrei que faz tempo que aqui não vai nada. Sobre os amigos que perdi-deixei-esqueceram-me. A cidade não é mais a mesma de quando essas Esquinas nasceram, nem as esquinas importantes o bastante, o nome deveria mudar para memórias-paranóias-pensamentos-fixos na caverna do porão onde vivo. Ou basement. Ah, sim. Esta a principal notícia.

A língua. A brava e resistente língua de Camões cada vez mais inatingível, faz tempo que não leio poesias, as palavras uma e outra aparecem sempre em outro idioma, pobre por desconhecimento. Quem desvenda vocabulários em livros? Outro me disse que desistiu de ler os volumes e desperdiçou o verão a ler as faces de estranhos... Sebastião, para quem conhece.

Pois então. Faz tempo. Que não penso sobre nada disso, sobre a necessidade premente de descobrir o tom nas palavras de outros, por isso as músicas, os livros ou as películas. Por isso o silêncio tão forte na língua portuguesa. Ou foi a pressão-interna-decibéis-milimétricos que em termos simples resulta preguiça, diverge o olhar para os quatro cantos.

Porque essa necessidade sempre presente. Entender um pouco mais anulando-se, dois olhos apenas não vêem o que ali está, melhor ampliar os primas, contorcionar os focos, por isso a música. Ou os filmes. Ou um livro aqui, uma poesia solta, uma notícia de jornal.

Ao retomar o caminho percebo a esquina logo ali. Daí o nome deste espaço. Daí o silêncio quebrado. Daí o que vem depois.

3 Comments:

Blogger Pollemica said...

espanto ao redescobrir meu passado na memória do outro. especialmente o riso que desaprendi.

11:23 AM  
Anonymous Anónimo said...

A sua pátria, como a de Pessoa, é a língua portuguesa. Entendeu agora?

5:56 PM  
Anonymous Anónimo said...

Vc pareceu ficar irritado com os meus comentários, pelo que peço imensas desculpas.
São totalmente desprovidos de cinismos, crítica pela crítica ou coisa que o valha.
Fazia já algum tempo que eu não me "deslocava" ao seu blog para ler os textos.
Eles, os textos, apesar da sua insistente melancolia, sempre foram muito poéticos. Eu gostava de passar por aqui e ler tudo o que havia disponível.
Volto agora e os belos e tristes textos são raros.
Estranhei.
Senti falta.
Não hei, após este longo comentário, de importuná-lo novamente com as minhas observações.
Um abraço amigo,

Anônimo-de-tal (denominação sua)

9:17 PM  

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