Sábado, Dezembro 24, 2005

Conto natalino de uma nota apenas sobre a eternidade da vida e da morte, as mudanças e as circunstancias, somente parentesis do tempo

Começou em criança a amar os números, ao sonhar bailava com eles sob a chuva. Contagem progressiva. Na adolescência, adotou as palavras, poesias que a faziam rodopiar no espaço vazio. Cresceu, embarcou no avião. Preferiu os rostos às letras. Lia-os, decifrava melhor. O rosto do homem que a fez chorar. Do outro que a ensinou a sorrir. Do terceiro que apresentou sorriso e lágrimas em seu silêncio. Concebeu. E a pequena criatura obrigou a recomeçar. Novamente os números, nos dedos minúsculos, nas fotografias, na escolinha. As palavras de suas poesias mesmas que as de antes. E nos amores. Empalideceu. Contagem regressiva. Deixou o planeta, transmutada no coração dos que deixou para trás.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Lindo.

9:10 PM  

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